
Flávio Bolsonaro (PL) aparece à frente de Lula (PT) nas intenções de voto para o 2º turno, segundo o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, feito em parceria com a consultoria Polling Data.
Nos valores arredondados, são 47% contra 44% — a BBC descreve a distância como de cerca de quatro pontos nos números sem arredondamento. O cálculo considera as pesquisas de 2º turno divulgadas até a noite de quinta-feira (8/10), incluindo os levantamentos mais recentes do Datafolha e da PoderData.
Os números
| Intenção de voto | Intervalo (95%) | |
|---|---|---|
| Flávio Bolsonaro (PL) | 47% | 45% – 50% |
| Lula (PT) | 44% | 42% – 47% |
| Sem candidato | 8% | 5% – 11% |
O intervalo entre parênteses é o ponto que merece atenção: há 95% de chance de que a intenção de voto real de cada um esteja dentro daquela faixa. As faixas de Flávio e Lula se tocam — o teto de Lula (47%) encosta no centro da estimativa de Flávio (47%).
Em outras palavras: a vantagem existe e é consistente, mas o agregador não descreve uma eleição decidida.
A virada aconteceu na reta final
O dado mais relevante não é o placar de hoje, e sim o movimento. A série do agregador começa em janeiro e mostra três fases:
- Janeiro a abril — as duas curvas andam coladas, trocando a liderança dentro da margem.
- Maio a setembro — Lula abre e sustenta uma vantagem, com Flávio oscilando perto dos 40%. A BBC marca no gráfico dois eventos nesse intervalo: o caso “Dark Horse”, no começo de maio, e a crise no STF, no começo de setembro.
- Fim de setembro em diante — a curva de Flávio sobe de forma contínua e cruza a de Lula já em outubro, depois do 1º turno.
É a primeira vez desde maio que Flávio aparece à frente na média ponderada das pesquisas.
Vale notar o que acontece embaixo, com a faixa cinza: a fatia “sem candidato” cai no mesmo período em que Flávio sobe. O eleitor que estava indeciso está escolhendo — e, até aqui, escolhendo mais para um lado.
O que o agregador é (e o que não é)
Não é uma pesquisa. É um modelo estatístico que combina os levantamentos nacionais registrados no TSE desde janeiro de 2026 — Datafolha, Quaest, AtlasIntel, Paraná Pesquisas, MDA, Gerp, entre outros — e calcula uma estimativa única.
Funciona como uma “média” das pesquisas, mas com pesos diferentes para cada uma. O peso de um levantamento depende de três coisas:
- Tamanho da amostra — amostras maiores costumam ser mais precisas.
- Data — as pesquisas mais recentes influenciam mais a estimativa atual.
- Histórico do instituto — quanto os resultados daquele instituto divergiram, sistematicamente, dos demais.
São usadas apenas as pesquisas estimuladas (aquelas em que o entrevistador apresenta uma lista de nomes). O modelo também suaviza oscilações de curto prazo, para capturar tendência em vez de ruído.
E o aviso que a própria BBC faz questão de dar:
O agregador foi projetado para mostrar a situação atual da opinião pública, não para prever o resultado final da eleição.
As pessoas mudam de ideia, podem não votar ou não responder com sinceridade ao entrevistador. E o modelo só enxerga o que está registrado no TSE — se houver um erro generalizado nas pesquisas, ele não corrige, porque reproduz a mesma base.
Quem viu 2018 e 2022 sabe por que esse parágrafo não é formalidade.
O calendário
O 2º turno é em 25 de outubro, o último domingo do mês. O agregador segue sendo atualizado pela BBC até lá.
Dados do Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, em parceria com a Polling Data. A BBC publica os resultados individuais de cada pesquisa considerada no cálculo. O gráfico acima é de elaboração própria a partir desses dados.
